sexta-feira, 30 de julho de 2010




A Terceira Edição do Sarau LiterCaldas apresenta a releitura da obra de Vinícius de Moraes, "Orfeu da Conceição". Vamos nos deixar levar pela emoção das canções, da composição dos personagens, da devida valorização da palavra polida de Vinícius.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Release

Ópera de um Malandro Brasileiro:

O II Sarau LiterCaldas apresenta a releitura do clássico de Chico Buarque de Holanda. Batizado de “Ópera de um Malandro Brasileiro”, as personagens de Chico cruzam na Lapa e articulam, além da ação dramática atemporal do texto de origem, a apresentação de canções que apontaram o compositor como um dos maiores representantes da Música Popular Brasileira.
Max e Teresinha ganham uma nova dimensão: a história de amor dos dois põe em discussão não apenas a questão social, mas a formação do povo brasileiro: é ele que conta, que lê e que sente.
Geni está lá; uma das personagens fundamentais da crítica de Chico, ela ganha uma nova leitura, antenada com os dias atuais.
Seguindo a proposta do Projeto que estreou ano passado com “Morte e Vida de um Planeta Severino”, os alunos do segmento Ensino Fundamental II contracenam nas mais diferentes faixas etárias: é comum num diálogo um jovem do 9º ano dividir a fração dramática com um aluno do 6º.
Este ano, excepcionalmente pelo recesso provocado pela prevenção da Gripe H1N1, o Sarau será apresentado no dia 1º de dezembro, às 10h, no Auditório do Colégio Professor Fernando Moreira Caldas.

sábado, 19 de setembro de 2009

Chico: sujeito e objeto

O Chico-compositor ou o Chico-arquienunciador da Ópera, sujeito e objeto de todo um discurso no qual se inscreve, é o grande ícone de resistência nos anos que sucederam o Golpe Militar de 64. Perseguido pela censura, escamoteia-se de malandro, cantando outro carnaval, o do Rio de Janeiro; primordialmente, para poder estabelecer um discurso de transgressão. Esse discurso carrega em seu cunho o cerne da crítica, inclusive ao seu interlocutor, que repete a canção, incessantemente, como sujeito ideológico, e entende apenas o sentido transparente do texto cantado.

O malandro socialmente marcado ...

Sob essa ótica o arquienunciador, na realidade, faz a sua ópera em homenagem ao povo brasileiro, sofrido, doente, sem dinheiro, não obstante, alegre; chora, mas ri, canta e até mesmo dança / samba.

O diálogo entre arte e a vida sempre se estabelece num vaivém dialético infindável, pelo menos no que se refere a imitação. Uma copia e dita normas, aponta caminhos para a outra. O homem é pintado como sujeito do amor, verdade que discursivamente se encontra até mesmo nos contos de fada.

É contra esse tipo de opressão que fica mais forte, ainda, a homenagem que o compositor faz à malandragem. Essa homenagem assume, dessa maneira, um libelo não só contra o trabalho institucionalizado para aqueles que tiveram a sorte de estarem preparados para ele, mas, acima de tudo, uma apologia a favor daqueles que têm de usar de todos os expedientes para driblar as correntes contrárias para poderem sobreviver num país que não olha para a população menos favorecida (que por sinal forma a grande maioria de sua gente), e finalmente a favor dos compositores que assumem a voz desse tipo brasileiro, como também de si mesmos que têm de driblar os censores para fazerem valer, discursivamente, os seus ‘gritos’ contra o sistema.

A voz do malandro ...

Se eu precisar algum dia
De ir pro batente,
Não sei o que será
Pois vivo na malandragem,
E VIDA MELHOR NÃO HÁ.


É lugar comum, como se pode notar nesses versos, o eu-poético assumir a voz do malandro, além de exaltar a vida da malandragem em oposição ao trabalho (batente), forma de oposição ao discurso dominante. Em conexão a essa exaltação, cf. Tinhorão (1990/1998), chega-se rapidamente ao início dos anos 40 em que ocorria franco e aberto combate à imagem de um brasileiro inclinado à malandragem. ‘A Ópera do Malandro’, de Chico Buarque, institui-se por um narrador inscrito num dado momento histórico e num espaço que compartilha com seus narratários. É indispensável, pois, de acordo com o teórico, levar em conta a situação de enunciação, a ‘cenografia’ que a obra pressupõe, validada pelos narratários. É só assim que se pode conceber um tempo, um espaço e personagens / pessoas, dentro e fora da obra.

O que é a malandragem ?

A malandragem, portanto, não é simplesmente uma singularidade inconseqüente de todos nós, brasileiros, ou uma revelação de cinismo e gosto pelo grosseiro e pelo desonesto. Na realidade, trata-se mesmo de um modo, jeito ou estilo profundamente original e brasileiro de se viver, e às vezes sobreviver, num sistema em que a casa nem sempre fala com a rua e as leis formais da vida pública nada têm a ver com as boas regras da moralidade costumeira que governam a nossa honra, o respeito e, principalmente, a lealdade que devemos aos amigos, aos parentes. Num mundo tão profundamente dividido, a ‘malandragem’ e o ‘jeitinho’ promovem uma esperança de tudo juntar numa totalidade harmoniosa e concreta. Essa é a sua importância, esse é o seu aceno. Aí está a sua razão de existir como valor social. A malandragem, antes de tudo, é um modo possível de ser. Algo muito sério, segundo DaMatta (1978/1990),contendo suas regras, espaços e paradoxos.